E às 16 horas e 08 minutos do dia 27 de junho de 2020……. depois de muitas digitalizações, gravações, audições, avaliações, provas, concursos, zooms, hangouts, whatsapps…… depois de muito esforço e algum ânimo e desânimo e depois ânimo de novo, de problemas de rede, de telescola, de trabalhos para casa feitos em casa a partir de aulas recebidas em casa…… elas entram oficialmente de férias.
Dia… Já não sei que dia é. Deixei de os contar quando chegaram aos 90, quando eu cheguei aos 45, quando um novo ano começou. Neste dias, desde o 90º até ao de hoje, fomos voltando (devagarinho, e por algumas horas) a estar com quem mais amamos: com os pais/avós. Nestes dias, fomos intercalando os telefonemas com os abraços dados pelas costas. Ainda não damos beijinhos, mas os “Adeus, avó!” já não ficam pelo som, leem-se nos olhos e nos sorrisos e nos acenos a dois metros. Aos bocadinhos, vamos avançando. Não com medo, mas com respeito. Às vezes chegando mais perto, depois dando um passo atrás, para se aproximar pouco depois.
Ontem disse-lhes que íamos à praia. Hoje acordaram cedo, com um entusiasmo e felicidade que se ouvia em cada riso. A Torreira linda como só ela sabe ser: areia a perder de vista, ar a cheirar a sal, mar de ondas quase sem som. A Torreira – que consegue ser tão agreste – hoje recebeu-nos como se tivesse saudades. Ou como se soubesse as saudades que temos dela.
Aos poucos, devagarinho, vamos saindo. Primeiro até casa de quem amamos. Depois para a praia, aquela que sempre foi e sempre será a minha. A praia que depois de hoje – suspeito – elas também começam a sentir como sua.
Fosse este um sábado normal, e estaríamos no CCB (Centro Cultural da Branca ) a assistir à Audição da Armab. Como não podemos estar lá, a Associação Recreativa e Musical Amigos da Branca (ARMAB) fez chegar a audição até nós Muito obrigada Está a ser uma noite muito agradável ^-^ (e aqui fica a audição da Mariana, partilha autorizada pela própria )
Fosse este um ano normal, e estaríamos agora a caminho de Párris Frránce, a caminho da Eurodisney. Iríamos ver a Torre Eiffel e conhecer a cidade da Lady Bug e do Gato Noir, iríamos ao castelo das princesas, eu iria tentar superar o meu medo de pessoas mascaradas e seria um aniversário diferente, marcante. Afinal, não é todo o ano que se faz quarenta e cinco!
Mas – because of Covid – as coisas tiveram de seguir outro rumo, os planos tiveram de ser desplaneados, e Paris de France ficará para outra altura. Hoje, tive direito a pequeno-almoço na cama. Depois, uma peça de teatro. Depois e durante todo o dia, abraços e mimos. Telefonema do meu ti Firmino, que nunca se esquece de ligar . Telefonema dos meus sobrinhos. Telefonema da Anabela. Telefonema da Tia Antónia. Mensagens, muitas.
Tive os meus pais e a minha sogra connosco. Comemos sardinhas, entrecosto e batatas fritas. O espaço é grande, é muito, montámos três mesas e quase pareceu um casamento com lugares marcados.
Fiz um bolo que não cresceu, mas não importa. Não tinha uma vela com o número “cinco”, mas não importa. Comprei um vestido que chegou a tempo, para usar algo novo neste dia, e que vou ter de devolver porque assenta que nem uma bata, mas não importa.
Hoje é o 90º dia desde aquele primeiro, e eu faço 45 anos. Tive os meus pais comigo. Tive a minha sogra comigo. Estive com os meus sobrinhos pequenos. Estou com o meu marido, o amor da minha vida. Estou com as minhas meninas, as luzes dos meus dias. Estamos todos. Estamos todos bem. Está a ser um dia bom Que este seja um ano bom
(obrigada a todos, todos, todos. terem pensado em mim, darem um pouco do vosso tempo para me desejar felicidades é bom, é coisa boa que aquece o coração. obrigada, mesmo ).
Ontem fomos almoçar a casa dos meus pais. Comida da mãe, comida boa, café bebido no jardim e tarde passada a conversar sobre tudo e coisa nenhuma. Soube bem, sabe sempre bem, sabe ainda “mais bem”. Aos poucos, com máscaras e distâncias, vamos reconquistando território que já não pisávamos há muito, espaço que ainda é nosso mas que já quase não reconhece os nossos pés.
Hoje, segunda, final de dia. Trabalhos todos feitos, dia de amanhã preparado. Jantadas, falta arrumar a cozinha e ver desenhos animados antes de ir dormir. Foi um dia dentro de casa, dentro do computador, tanto para mim como para elas. Aulas, ATL, zoom. Adaptam-se como sempre se adaptaram, sabem que há tempo para tudo. Amanhã é terça, véspera de quarta, véspera do dia em que a mãe faz anos . Mariana tem a prenda pronta, Magui diz que ainda a vai fazer. Lá fora ainda há luz, o sol ainda se mostra. E eu venho aqui numa fugida, dizer(-me) o que se passou hoje, deixar o registo escrito daquilo que, para mim, tem feito o passar dos dias.