Dia 56+1


. Dia 56+1. Dia de vacina do Mimos, dia de sair de casa e do concelho pela primeira vez.

Em 56 dias não demos um “passeio higiénico”. Mas hoje, dia de vacina do Mimos, metemo-nos no carro e fomos a Estarreja. Antes de sair, verificar tudo: máscaras, gel, regras, recomendações. Ao longo do percurso, o receio e o medo e o susto. “e se…?” “e se..?”
(na minha cabeça, desconfinamento é isto. Viver com os “ses” que esta nova condição de prisão condicional traz; viver com um receio de tocar, de pousar a mão, de falar olhos os olhos, muito mas muito semelhante aos receios dos primeiros dias. É um acordar os medos, para aprender a viver com eles)
No regresso, fomos a casa dos avós. Não entrava em casa dos meus pais há dois meses (eu, que vou lá todas as semanas): o limoeiro está carregado, a Lua cresceu, há flores brancas por todo o lado e no quintal, ali ao lado, a rúcula espalha-se como erva daninha.
Soube bem regressar àquela casa, mesmo com avisos, mesmo com “não mexam, lavem as mãos, afastem-se mais um bocadinho”.
Desconfinar. Sair do isolamento, devagar.
Aprender a viver nesta nova realidade.

Ao almoço, sopa da avó Maria. E panadinhos, e salada de rúcula. Almoço cá fora, a aproveitar o sol que dizem não ficará por muito tempo.
À tarde, Mónica-mãe, trabalhos de casa e uma cópia para fazer. Magui reclama porque são muitas letras, que há coisas que ainda não aprenderam, que são muitas linhas, que lhe dói a mão de tanto escrever. E eu entre o ralhete e a vontade de rir, entre o “Maguiiiiiiii” lento e a vontade de deixar tudo para o fim de semana.

Fim de tarde, as duas em aulas. Magui com vontade de aprender mas com a paciência de um mosco, Mariana a protestar com o sinal de internet que está sempre a cair.
E ao fim do dia, mesmo fim do dia, Bolas de Berlim 🙂
Com creme, sem creme. Com toda a farinha, gordura e açúcar a que tenho direito. Rúcula ao almoço, açúcar ao jantar. Equilíbrio, portanto.

Por tudo isto – pelas saída de casa, pelo quintal da minha mãe, pela salada de rúcula, pelos protestos da Margarida e pelas Bolas de Berlim – este não é dia 57.
Hoje, com a saída de casa, inicia-se uma nova fase: com os mesmos cuidados, os mesmos receios e os mesmos medos; com o só sair quando estritamente necessário; com o fazer compras para duas semanas; com o deixar o calçado lá fora; com o lavar as mãos N vezes ao dia.
Mas ainda assim é uma nova fase.

É a fase em que temos de aprender, mais uma vez, a viver de uma forma diferente.

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