a máquina dos sonhos

. sempre fui daquelas pessoas que dizia “quando tiver um filho não serei daquelas mães chatas que só sabem falar do bebé, e que fazem uma festa quando o pequeno espirra”. agora, digo que só não muda de opinião quem não tem abertura de espírito para deixar entrar novas ideias 😛

o projecto Mariana vai já com três meses “no campo” :). nestes três meses vi a minha pequena passar de um bichinho cabeludo e exigente para uma criaturinha que quer saber, explorar, que comunica e que pede interacção, e que me demonstrou que o ensino e a aprendizagem são duas dimensões do mesmo processo: crescer.

com a Mariana, aprendi a adormecer em cinco minutos e a rentabilizar as minhas horas de sono. descobri o mundo de uma nova perspectiva (visto do chão :D) e aprendi que as coisas levam o seu ritmo e que não é só pela nossa força de vontade que o mundo anda mais depressa. comigo, a Mariana aprendeu a diferença entre o dia e a noite, aprendeu a brincar com os bonecos, a agarrar nas coisas. e há-de aprender muito mais.

ultimamente, estou a (re)aprender o valor do tempo e da simplicidade das coisas :). aprendo que não é preciso gastar dinheiro em bonecos complicados quando as figuras que faço com as mãos a levam a olhar, a rir e a agarrar. aprendo que uma coisa simples, como uma fralda, dá mais conforto que dois ou três doudous.

aprendi ainda – e depois de tentar música clássica, embalo, canções infantis, maquinetas da chicco – que o som que adormece a Mariana é, pura e simplesmente, o som de um aspirador a trabalhar. uma autêntica “máquina dos sonhos” 🙂

um dia a Mariana gostará de Mozart e Beethoven. gostará de Jonsi/Sigur Rós. mas, para já, o que ela grama mesmo, mas mesmo, é o som do aspirador 🙂

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a tal maquineta da chicco, que projecta estrelas no tecto, foi comprada mais para mim do que para ela :P. o dia pode correr menos bem, posso andar mais cansada, mas o certo é que não me importo.

à noite, quando o sol se põe, ouço a leve respiração da Mariana… e tenho um quarto cheio de estrelas 🙂

ch-ch-changes

.  desde há três semanas que o meu cabelo anda, dia sim dia sim, apanhado num rabo de cavalo; desde há três semanas que como sopa, saladas, verduras, fruta, todos os dias; desde há três semanas que me tornei fã de iogurtes com aroma a coco; desde há três semanas que não leio twitts, nem comento posts, nem descarrego músicas;

já não vejo séries – onde anda o “24”? – e começo a saber de cor o preço dos aparelhos de ginástica promovidos nas televendas. vejo os noticiários a partir das 6 da manhã, tomo o pequeno almoço quando posso e não quando quero, e os banhos de meia hora passaram a duches de 10 minutos.

há três semanas nasceu a Mariana e as noites e os dias nunca mais foram os mesmos: durmo pouco e aos pouquinhos, passo os dias e as noites a mudar fraldas, e o perfume que usava foi substituído por um cheiro a leite e a creme para bebés que não se vende em lado algum.

há três semanas nasceu a Mariana. e correndo o risco de ser lamechas, digo que não há um dia em que não agradeça a Deus pela vinda dela 🙂

slow down

.  porque há dias em que sentimos o peso do mundo nos nossos ombros. porque há dias em que não conseguimos entender porque ainda insistimos. porque há dias em que sentimos que a distância entre o choro e o riso não se mede em segundos mas num encher de pulmões.

porque há dias em que nos dizem para abrandar, para sentir, para avançar. porque hoje foi um dia comprido, grande, interminável. e porque ainda só é quarta feira…

por tudo isto e mais tanta coisa, sinto-me cansada.

sobre planos e essas coisas

.  como boa Gémeos que sou, passo mais tempo a fazer planos que a executá-los. já quando era mais nova e tinha de fazer limpezas na casa dos meus pais investia cerca de meia hora a fazer uma lista das divisões que teria de limpar (como se essas mudassem de semana a semana) e, numa outra coluna, o tempo que – segundo os meus cálculos – demoraria a completar a tarefa. era divertido, e terminava (sempre) de forma abrupta com um berro da minha mãe: “Mónica Sofia sai do quarto e começa a fazer alguma coisa!” – mãe é sempre mãe, e ter dois nomes próprios é sempre uma desvantagem para qualquer filho.

mas adiante…

este gosto pela planificação (já lhe chamaram muita coisa mas eu prefiro continuar a chamar “gosto”) levou-me a ser muito boa a organizar tarefas, a desenhar backup-plans e a fazer cronogramas detalhados – o facto de nunca os cumprir não é problemático: não se pode ser bom em tudo, e o meu talento fica-se pelo plano e não pela execução.

assim sendo, passei o dia de ontem a definir as tarefas e os objectivos (alcançáveis) para este ano de 2010. como não acredito nos desejos nem nas típicas resoluções de ano novo (deixar de fumar, deixar de beber, deixar de… gastar muita água) fico-me pelas coisas concretas, realizáveis, mensuráveis. já tenho uma lista que, agora terei de passar para uma agenda. e depois para o iCal. e depois sincronizar com o telefone. é um gosto, este da organização. sim.  não são muitos, e duram só até abril, mas já dão para encher o olho 😉

por isso defendo que fazer planos faz-nos (ou pelo menos a mim) bem. são como os paredões nas praias, que as limitam e tornam o mar menos assustador. a água é a mesma, mas está dividida em pedacinhos mais pequenos. e, se ficarmos sem força, sempre nos podemos agarrar às pedras 🙂

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(e para que não se diga que sou obcecada com estas coisas da planificação… na última grande viagem que fizemos quando ainda éramos ricos, eu e o meu comparsa fomos passear até Itália, de carro e sem nada bem definido, o que nos levou a coisas como ir até ao norte de Espanha para depois atravessarmos o centro de França e entrarmos em Itália por Turin. o objectivo era passear em Itália, e foi nisso que concentrei os meus esforços: como chegar lá era, para mim, totally secundário.

ainda sem GPS (tecnologia do demo, juntamente com os fornos micro-ondas  e as cassetes “de fita”), orientávamo-nos pelos mapas e a coisa fez-se. descobrimos pequenas vilas que nunca encontraríamos se fossemos direitos às cidades principais, passámos por “percursos pitorescos” que nos deram cabo das costas mas nos encheram a alma de verde e posso afirmar, sem sombra de dúvida, que foram as melhores férias da minha vida. só serão suplantadas quando eu for de novo rica e puder visitar a Grécia ou as ruínas de Machu Pichu)

porque um dia as ovelhas dominarão a terra

.  nunca daria para Che Guevara ou para Jesus Cristo: ter a minha foto estampada em tudo o que é suporte não apenas me irritaria como, de certeza, me traria grandes crises existenciais que nem o dinheiro recolhido pelos direitos de imagem conseguiriam resolver.

foi um pouco nesse sentido que decidi, num daqueles repentes que dão mais a uns que a outros, substituir a minha foto do perfil do twitter, msn e gtalk pela foto desta ovelha. é pacata, é pacífica, é pastante. e traduz, nesta fase específica, o estado de espírito que se instalou entre as tropas e que teima em não desaparecer. mais ainda, é parente da Choné, ovelha protagonista de uns pseudo-infantis desenhos animados que nos deixam, na melhor das hipóteses, com um sorriso digno de quem assiste – e entende – um episódio da Liga de Cavalheiros.

ser ovelha dá sempre jeito, principalmente no inverno: a lã continua a ser a fibra de aquecimento por excelência e, desde que não nos lavem em água quente, o casaco serve sempre.

ser ovelha pelo menos uma vez na vida permite-nos ir com o rebanho, não fazer ondas, comer e dormir e, caso nos chateiem demais, sempre podemos responder “mééééééé….” e desejar que o nosso ouvinte seja suficientemente inteligente para completar o resto.

por isso, nos próximos tempo, sou ovelha. porque dá jeito, porque é quentinho, porque sim. e porque um dia – já lá diz o Mateus na bíblia – os mansos (aka as ovelhas) dominarão a terra.