Acordar mais cedo que o resto da casa, tomar o pequeno-almoço em silêncio, ver as notícias.
Beber café, dizer bom dia ao Mimos, voltar a entrar.
Fazer ginástica. Alongar. Esticar durante quase meia hora.
Parar quando a Mariana entra na sala, ouvir “a Magui também já acordou”
Distribuir pequenos almoços. Levar um à cama.
Tomar banho.
Terminar de arrumar a casa, preparar o almoço.
Almoçar. Sentar no chão da sala (prefiro-o ao sofá), deixar que a Magui se sente no meu colo, encostar a cabeça ao joelho do Gonçalo. Ouvir o riso da Mariana.
Ver um filme de fio a pavio.
Deixar que a tarde passe devagar.
Hora do lanche, uma pede torradas, outra “já agora também. Se faz favor”.
E eu levanto-me e hoje cuido dos meus, que todos os dias cuidam de mim.
Abro a porta da cozinha – o Gonçalo solta um “és pior que as tuas filhas”, e saio para brincar com o Mimos.
(é tão bom ter um cão…)
Volto para dentro, penso um bocado, afinal não vou por roupa a lavar – fica para amanhã. Na sala, está-se a meio do segundo filme.
Jantamos. Pai e filhas deram cabo de tudo o que havia de doce em casa (bolachas de baunilha, oreos, cereais, gelado, gelatina) e a mim apetece-me algo… bom.
Faço bolo, enquanto eles riem na sala.
Faço tarte de limão, sabendo que só eu vou comer (foi por isso mesmo que a fiz).
É fim de dia, dia do trabalhador, o primeiro dia do mês de Maio, mês de Maria, mês das Mães, e no facebook já se vê um novo emoji: coragem.
No fundo, aquilo que temos. No fundo, aquilo de que precisamos.